Momento de pegar a estrada. Carro lotado, cinco mulheres a caminho do encontro com a Mãe Maria.
As horas percorridas no interior do automóvel levavam cansaço, novidades, desejos, sonhos e a querença da amizade.
A escolha do destino deu-se pela vontade das amigas chegarem perto, visitarem, agradecerem, pedirem colo, descansarem no Manto da mãe.
As mulheres seguiram viagem, desapegadas do peso de verdades impostas. Havia abertura nos corações e entrega no gesto de busca.
Mulheres maduras, histórias de vida, causos com cenários engraçados, histórias de perdas, dores, conflitos internos, desejos de mudanças e desejos de encontros.
Almas femininas no mundo, animadas pelo movimento esculpido nos traços do tempo.
Regina levou lembranças da infância no primeiro passeio. Revelou às amigas o desejo em rever a Igreja Velha, a Matriz Basílica de Aparecida, localizada no centro da cidade. Lá seus pais se casaram e posteriormente levaram os filhos para visitar e agradecer.
Regina tirou fotos nas escadas da igreja e na pracinha. Seu desejo foi levar as imagens para sua mãe e juntas matarem a saudades do pai e marido, o qual fez a passagem muito precocemente.
Cristina e Lúcia não conheciam a igreja. Lá ficaram sabendo da construção em 1745 e da aparição da imagem nas margens do rio Paraíba do Sul. Entraram na fila para vê-la e, ambas, ao passarem pela Mãe Maria, deixaram gratidão e rogaram pelos seus.
Rosa e Renata já conheciam a igreja e estavam muito felizes em poder voltar. Rosa demorou em suas preces a Santo Antônio. As amigas se juntaram nas vibrações por ela.
— Sorte do homem que ouvir essas preces — pensou Renata.
Renata, devota de Nossa Senhora, sentiu o coração aquecer. Estar com as amigas e poder agradecer ajoelhada nessas terras era pura benção.
— É linda a devoção de Renata. Dirigiu até aqui e ainda está de joelhos.— pensou Regina, a companheira de altos papos, já na expectativa por dividirem o mesmo quarto nesta viagem.
As amigas passearam pelas lojas, palpitaram e aproveitaram as compras.
À noite, arrumaram-se para a visitação noturna à Basílica.
Lúcia observou a amiga Cristina em profunda conexão quando ela estava contemplando a imagem de Nossa Senhora da Conceição Aparecida.
—Como eu sou grata por você ter nos possibilitado conhecer esse lugar— pensou Lúcia e pediu proteção à amiga.
De volta ao hotel e encantadas com a riqueza da visitação noturna, o grupo seguiu para o jantar.
Regina, ao voltar com seu prato cheio, comunicou a presença de um ex-presidente na mesa logo à frente.
Rosa foi a primeira a levantar para ver de perto, voltou com o prato bem servido e com sorriso sarrista no rosto. Ao sentar, a gargalhada tomou conta do grupo.
— Não parece nem no canto do olho. — falou sentando alegre na mesa.
As outras três logo levantaram e seguiram para a verificação.
Os pratos vieram coloridos e a tiração de sarro foi farta.
— Amiga, mesmo eu recém-transplantada de córnea não vi nada parecido com o nosso digníssimo ex-presidente do Brasil. — falou Cristina com olhar de sapeca.
O dia seguinte amanheceu lindo, Após bem servido café da manhã, as cinco mulheres voltaram para a Basílica .
Lá andaram de teleférico. Cristina e Renata, mesmo com medo, encararam. As amigas se apoiaram e contemplaram a linda vista.
Ao voltarem ao complexo da Basílica, Cristina observou Lúcia na sala das promessas. A amiga estava diante do local das graças recebidas aos pedidos de amor. De um novo amor.
— O tempo é transformador. — pensou Cristina ao ver a cena. — Hoje, Lúcia está novamente aberta a amar.
As amigas acenderam velas na sala das velas. O silêncio agiu como bom conselheiro a cada uma delas.
Diante do único mosaico terminado, do evangelho vivo, os olhos das amigas brilharam de tanta beleza.
— A arte fala com a alma humana. — exprimiu Cristina maravilhada.
As amigas concordaram e entraram novamente na Igreja.
A despedida da Mãe Santíssima ecoou como sopro de silêncio.