A todos os professores que tive e tantos outros com os quais trabalhei.
O nosso mundo era repleto de crianças.
As pessoas grandes abaixavam para conversar e olhar nos olhos. Tinham temperos mágicos.
Tudo tinha sabor de quero mais. Merendávamos juntos e juntos agradecíamos os preparos.
A mesa tinha o comprimento do infinito.
Ouvíamos as mais incríveis histórias.
Na roda contávamos nossas experiências, nossos medos, nossos sonhos e desejos.
Na roda combinávamos nosso dia.
Na roda surgiam birras, caras de quem comeu e não gostou,
os que pouco falavam e os que sempre tinham o que falar.
Mas havia uma pessoa atenta a tudo!
Essa pessoa provocava línguas presas.
Possibilitava que percebêssemos que o espaço era de todos.
Seus toques eram portas abertas do bem viver e aprender.
Seus ensinamentos mostravam que aprender é caixa surpresa com acesso ao portal de descobertas.
No seu olhar cabia todo o alfabeto de nomes.
Nos seus gestos de bom dia ao seu Zé, a Gina, a esses queridos que abriam as portas do “nosso mundo de gente” e a todos que encontrávamos na deliciosa jornada de cada dia, o conviver, coloria de querência nosso espaço de aprender.
Conservar limpo o que encontrávamos tão carinhosamente limpo, era testemunho de amor e valor.
Com essa pessoa dançávamos, corríamos, brincávamos de bola, amarelinha, corre lenço, de estátua, massinha, casinha, enfim éramos crianças.
Com essa pessoa descobríamos letras, palavras, nomes, o mundo.
Professoras e professores que se multiplicaram em minha trajetória escolar.
“Vocês me colocaram no convívio com um mundo de gente”.
Professoras (es), nossa profissão tem o valor de estrelas que piscam no olhar.
Hoje, o ontem carrega memórias
que pintam de carinho meu coração.

Elaine Perez