Adeus, Dionísio

Oficina Poesia Longa de Mell Renault

Adeus, Dionísio

É bom que termine assim,
Dionísio
Ébrio do meu líquido
avermelhado
Nocauteado pelo
estorninho-malhado

pássaro que
ao sentir meu cheiro
deixou o bando
e de toque em toque
rompeu a casca
derramou sua seiva
me tomou por inteira
me fertilizou

Calou seu canto,
Dionísio
Misturou porções e
te envenenou
Agora é dono da sua arte
do seu feitiço
do meu corpo
dos meus humores

Eu Ariana,
me deito em seu canto
Sigo inebriada seu voo
transmuto em
ave enfeitiçada

É bom que termine assim,
Dionísio
Calou seu canto,
Dionísio
Eu Ariana,
me deito em seu canto
Sigo inebriada seu voo
transmuto em
ave apaixonada.

Poesia cantada de Elaine Perez

Publicado por focomfo

Escrevo na dobra corpo, pulso, ciclos encontros, acontecimento ondas de pertencimento.

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