É a minha vez

a reeditar um sorriso 

no canto avesso da face

olhos expressam dúvidas 

de falas engolidas 

em silêncio tinto e seco

a replantar as raízes

em terras curtidas  

nas saudades de girassóis 

o eu Clitia, despetala e ousa 

se desnudar e ser dona

de si

a recolher meus desejos

em compostagem úmida 

verto o chorume e aguardo

o ciclo de transposição 

dos séculos de servidão 

a renovar pensamentos 

inférteis das boas maneiras 

das meninas recatadas

brindo com sorriso 

aberto,

as pernas que seguem

meu destino 

com o sem sol

reescrevo, cada letra 

desenho o início

desmontando 

o era uma vez

ao esculpir

é a minha vez

Publicado por focomfo

Escrevo na dobra corpo, pulso, ciclos encontros, acontecimento ondas de pertencimento.

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