Meio de Nada

Meio de Nada

Nasci, meio nascida
No meio da rua,
No meio do barraco

O pai, se foi, meio perdido
para a rua dos Confins
A mãe, rasgada no meio, meio
amargurada, ficou, calada

Na noite, meio chuvosa
A menina, no meio da esquina,
arrastada para o meio do mato.

O corpo, meio usado, roubado,
a boca, meio sufocada
na corrida, meio entorpecida,
fui gerada, meio assustada

Dessa história, meio comum,
me arrasto, no meio do abandono

Sem meias palavras,
escrevo no meio da mesa,
meia folha e meia

Amanhã é dia de comprar,
meio quilo
de sobrevivência.

Elaine Perez
Programa de Escrita Literária
De Mell Renault

Publicado por focomfo

Escrevo na dobra corpo, pulso, ciclos encontros, acontecimento ondas de pertencimento.

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