Menina Régia

A menina flor precisa atravessar o rio.

Surge na margem o magnífico nenúfar, tapete verde, lótus sagrado. A menina sobe, senta no meio da planta e é transportada para a outra margem do rio.

Ventos fortes, chuva, céu carregado não a amedrontam.

O tapete Régio ensina para a menina o poder aparente da sombra e possibilita o percurso ao levá-la ao puro néctar da consciência iluminada.

As raízes habitantes  da profundidade sombria da escuridão ergue-se em flor, repleta de luz.

A menina agradece e se despede do grande símbolo de renovação.

Em algum lugar de seu ser, sabe possuidora das sete flores, dos sete chakras. De lótus na Índia à esplêndida régia no pulmão vivo da Amazônia, a menina revive lembranças de infância.

Cruza o portal.

Do outro lado, avista a caverna e sob o cuidado da Loba, entra e adormece.

Ao sonhar, vê  o homem ir embora. Pressente o tempo em seu término. Despedida de um até mais.

No sonho, reconhece as possibilidades de nascimentos em um corpo de homem ou mulher  e também a morada do espírito, como não sendo esse corpo. 

A menina vê a experiência do espírito vivente como outra coisa. São lições   a serem apreendidas na roda da vida. Múltiplos papéis, vivências, percursos.

No sonho, a menina aprende a importância do olhar. 

O olhar humanizado é desprovido de julgamento, diante da experiência alheia. É olhar de potência.

A menina acorda do sonho e faz seu retorno. A trajetória no tapete Régio ensina…

Habita no mais profundo pântano, em sua podridão, a potência da semente iluminada.

Somos flores do pântano. 

O tempo é um piscar de olhos.

Elaine Perez

Publicado por focomfo

Escrevo na dobra corpo, pulso, ciclos encontros, acontecimento ondas de pertencimento.

Deixe um comentário

Crie um site como este com o WordPress.com
Comece agora