Conto em que situo a protagonista em um acontecimento do filme “Parasita”, do diretor Bong Joon-ho.

Festa Caótica
Caprichei no modelito para arrasar na festa de aniversário do filho caçula da família Park.
Conheci a Sra Park na reunião promovida pela escola de nossos filhos. Os meninos são colegas de turma.
Depois da reunião, enquanto as crianças brincavam um pouco, falamos de banalidades e depois conversamos sobre cães.
Esse foi o único ponto em comum com a sem noção, Yeon-gyo. Nós duas descobrimos que alimentamos nossos pets com ração orgânica da melhor qualidade e, por serem muito ativos, contratamos o mesmo treinador para passear com os cachorros todas as manhãs e finais de tardes.
Acredito ser essa conversa um dos motivos de eu e meu filho termos sido convidados para o aniversário.
Ao chegarmos à festa, percebemos todo o local enfeitado com tema de Cowboys e índios. Yeon-gyo veio ao nosso encontro e agradeceu com certo desdém o presente. Ji-hoon e eu escolhemos o mini drone mais potente para presentear Da-song. É lógico que minha intenção foi impressionar Dong-ik, o marido rico. Divorciada há três anos, quem sabe o bem sucedido CEO caísse nos meus encantos.
Meu filho me contou da nova professora de arte contratada para dar aula particular para o caçula mimado de Yeon-gyo.
É lógico, ela não poderia deixar de me apresentar à profissional. Achei a professora simpática e, na primeira oportunidade, pedi seu contato.
Se Ji-hoon não quisesse fazer as aulas, faria eu. Estava decidido, ficar atrás da sonsa, nunca.
Não posso negar, os Park não economizaram na festa. A casa estava cheia de empregados. Todos com cara de mortos de fome. Havia fartura por todo lado.
Aproveitei o momento em que o Sr Park estava sozinho, cheguei perto com duas taças de champanhe. Ofereci a bebida e ele, meio tímido, aceitou.
Percebi que pintou um clima. Falei da amizade entre nossos filhos. Ele animado me contou sobre a apresentação surpresa que faria e pediu para eu não perder o momento.
Eu aguardei ansiosa. Havia uma cantora de ópera fazendo sua apresentação. Os convidados ouvindo e prestigiando. Eu mesmo não gostando do estilo, busquei demonstrar uma escuta interessada.
De repente, avistei o Sr. Park, o homem tímido e discreto, vestido de índio americano e ao seu lado, talvez um empregado meio desconfortável e também fantasiado de índio. Achei a cena um tanto ridícula.
A professora de arte, surgiu trazendo o bolo de aniversário de Da-song.
Nesse momento apareceu um velho, com o rosto cheio de sangue e com uma faca na mão. O ser em fúria atacou a professora.
As cenas foram de muita veracidade. A gritaria e o caos se instalaram no recinto. Foram cinco minutos de horror.
A minha pretensa professora de artes foi atingida e morta na cena. O velho acabou com ela e nenhum convidado, muito menos eu, chegamos perto do corpo.
O aniversariante caiu desmaiado no chão. O Sr Park só gritava, mandando o índio proteger a família.
O homem que parecia contrariado, avançou, possuído de raiva e em vez de proteger o patrão e matar o velho, atacou o meu futuro investimento, o Sr. Park. Não compreendi nada. Gente louca!
Nesse momento, todos os convidados já tinham ido embora, decidi pegar meu filho que estava em choque e sumimos do local.
No dia seguinte, descobrimos toda a tragédia na mansão dos Park.
Diante do show de horrores, me confortei das más vibrações com a chegada do treinador de cães. Hoje ele veio para um horário esticado até o amanhecer. Eu, como patroa generosa, entreguei para ele o Fahrenheit Dior, presente escolhido a dedo. A noite perfumada foi recheada de grandes sensações.
Elaine Perez