Fazer escolhas

Tomada de consciência dos próprios passos.
É me ver.
Sentir a humanidade que me habita.
O coração pulsando e a emoção em estar viva.
É assumir as escolhas na caminhada.
É sentir a brisa fresca que clareia a visão.
É o desejo de potência.
É o aprendizado libertador, em deixar ir a ânsia do poder da posse.
É libertar você do meu olhar, do meu julgamento e da minha verdade.
É me libertar do seu olhar, do seu julgamento e da sua verdade.
É ser quem eu sou, sem medo de ser quem eu sou.
É estar aberta a mudar se meu desejo assim desejar.
É escolher por mim, porque o vento soprou em meus olhos. E o que vi, fui eu que vi e senti.
Simples assim.
A chegada
Sorocaba presente 🌹
Feliz por fazer parte 🌹
“Quem foi que me colocou no convívio com um mundo de gente?”
A todos os professores que tive e tantos outros com os quais trabalhei.
O nosso mundo era repleto de crianças.
As pessoas grandes abaixavam para conversar e olhar nos olhos. Tinham temperos mágicos.
Tudo tinha sabor de quero mais. Merendávamos juntos e juntos agradecíamos os preparos.
A mesa tinha o comprimento do infinito.
Ouvíamos as mais incríveis histórias.
Na roda contávamos nossas experiências, nossos medos, nossos sonhos e desejos.
Na roda combinávamos nosso dia.
Na roda surgiam birras, caras de quem comeu e não gostou,
os que pouco falavam e os que sempre tinham o que falar.
Mas havia uma pessoa atenta a tudo!
Essa pessoa provocava línguas presas.
Possibilitava que percebêssemos que o espaço era de todos.
Seus toques eram portas abertas do bem viver e aprender.
Seus ensinamentos mostravam que aprender é caixa surpresa com acesso ao portal de descobertas.
No seu olhar cabia todo o alfabeto de nomes.
Nos seus gestos de bom dia ao seu Zé, a Gina, a esses queridos que abriam as portas do “nosso mundo de gente” e a todos que encontrávamos na deliciosa jornada de cada dia, o conviver, coloria de querência nosso espaço de aprender.
Conservar limpo o que encontrávamos tão carinhosamente limpo, era testemunho de amor e valor.
Com essa pessoa dançávamos, corríamos, brincávamos de bola, amarelinha, corre lenço, de estátua, massinha, casinha, enfim éramos crianças.
Com essa pessoa descobríamos letras, palavras, nomes, o mundo.
Professoras e professores que se multiplicaram em minha trajetória escolar.
“Vocês me colocaram no convívio com um mundo de gente”.
Professoras (es), nossa profissão tem o valor de estrelas que piscam no olhar.
Hoje, o ontem carrega memórias
que pintam de carinho meu coração.

Elaine Perez
Romance virtual

Cris, aos 65, estava indecisa na escolha. Enquanto respondia Jorge no WhatsApp, Adolfo enviava um vídeo “caliente” no bate-papo do Face, Carlos já havia deixado áudio no Telegram e o telefone anunciava Adolfo na chamada de vídeo combinada. Cores rubro-negras coloriram as telas.
- ProjetoNatureza em ação
- Correspondência de domingo Outubro / 2024 3ª Carta para Clarice Lispector / Elaine Perez . Esse projeto é promovido por Mell Renault/ @mellrenault e LUME – Oficinas Literárias / @literatura.oficinas.lume Projeto carregado de afeto. Acompanhem as correspondências de: @mellrenault @morenaflor.blog @carla.pepe75 @flaviasjoss2_ @jussarahelene @caixadelua @elaineperezfo @milmarias.escritora @escritorcarlosfigueiredo @literatura.oficinas.lume @poesiaporwilma @maris.trindade @narrativas_poeticas @monicachagas.poesia #correspondenciasdedomingo #claricelispector #morrodocruzeirosãothomédasletras
- Parabéns @poetamarinamara . Vamos declamar Drummond 🩵🩵🩵🩵🩵🩵🩵🩵 #declameparadrummond 🩵🩵🩵🩵🩵
- Projeto Natureza em ação 10) Mixagem Existir A rosa existirá além da lira e o desconhecido crescerá como uma flor vermelha as coisas que não levam a nada têm grande importância. Elaine Perez Poetas Mixados Sophia de Mello, Manoel de Barros e Mell Renault. Oficinas 365 poemas de Mell Renault @mellrenault @literatura.oficinas.lume Proposta: Maio 2024 Técnica: Mixagem #365poemas #mixagem #sophiademellobreynerandresen #mellrenault #manoeldebarros
- Correspondência de domingo Outubro / 2024 2ª Carta para Clarice Lispector / Elaine Perez . Esse projeto é promovido por Mell Renault/ @mellrenault e LUME – Oficinas Literárias / @literatura.oficinas.lume Projeto carregado de afeto. Acompanhem as correspondências de: @mellrenault @morenaflor.blog @carla.pepe75 @flaviasjoss2_ @jussarahelene @caixadelua @elaineperezfo @milmarias.escritora @escritorcarlosfigueiredo @literatura.oficinas.lume @poesiaporwilma @maris.trindade @narrativas_poeticas @monicachagas.poesia #correspondenciasdedomingo #claricelispector
Gênio da lâmpada

Caí com as amoras colhidas para o neto nas mãos. A dor foi insuportável. “Certeza, quebrei meu pé”. Depois do raio x, constatou-se. Não foi o pé, e sim a fíbula.
Voltei da caminhada sem as amoras, engessada e na garantia de ter que adiar a viagem para o litoral. E para arrematar, meu humor estava lamuriento.
Vinte e um dias com o gesso e outros vinte e um com a bota, sem colocar o pé esquerdo no chão.
Em meio às cobertas e travesseiros, encontrei a lâmpada mágica.
Com a vista embaçada, esfreguei o objeto. Limpei os óculos e vi com nitidez meu gênio.
Primeiro o ser abençoado me arrumou as muletas, depois a cadeira com rodinhas e por fim uma cadeira de rodas.
Preparou um esquema seguro para o banho e se esmerou nos cafés da manhã.
As dores, apesar de intensas, aos poucos foram amainadas pelos sabores nos preparos das refeições e nos toques de afeto em realizar desejos.
Baixei no Kindle Unlimited o primeiro romance da querida amiga escritora Ilma Pereira, “O que os quilômetros não te contaram”, leitura intrigante, deliciosa. Viajei pelas estradas.
Adquiri o livro virtual, “Lavoura arcaica”, romance de Raduan Nassar. Narrativa densa, rica, intensa .
As leituras das obras se alternaram com doramas coreanos, playlists de estilos variados, programas de culinária, vídeos do YouTube de assuntos bem diversos, momento da novela Pantanal, acesso aos grupos nas redes sociais, tempo para escrever e a amorosa companhia do gênio.
Hoje, em meu momento dorameira, os sentidos gustativos foram aguçados pelas imagens dos suculentos kimbap.
A visão foi intensificada com o preparo do lamen. A cena abordou a lembrança guardada na memória de um dos personagens, pelo qual, em segredo, seus empenhados e afetuosos funcionários, procuraram e conseguiram encontrar o cozinheiro. Ele realizou seu sonho, preparou a iguaria e trouxe de novo o sabor das lembranças. O lamen foi sorvido com imenso prazer. Ao assistir, minha boca ficou aguada.
— Nossa, esse lamen me despertou a vontade de comer yakisoba. Daria tudo por isso.
O episódio terminou e o meu iniciou. O meu gênio, sem eu perceber, preparou o suculento yakisoba. O prazer do alimento quente aqueceu meu coração.
No final dessa temporada, é bem provável não haver diferença entre meu peso no início da convalescença com o gesso e a pós-temporada sem ele.
Agora, a minha gratidão ao meu amor com nome de anjo, meu gênio real na caminha de vida, não terá balança capaz de calcular.
Elaine Perez
Gênio da lâmpada

Caí com as amoras colhidas para o neto nas mãos. A dor foi insuportável. “Certeza, quebrei meu pé”. Depois do raio x, constatou-se. Não foi o pé, e sim a fíbula.
Voltei da caminhada sem as amoras, engessada e na garantia de ter que adiar a viagem para o litoral. E para arrematar, meu humor estava lamuriento.
Vinte e um dias com o gesso e outros vinte e um com a bota, sem colocar o pé esquerdo no chão.
Em meio às cobertas e travesseiros, encontrei a lâmpada mágica.
Com a vista embaçada, esfreguei o objeto. Limpei os óculos e vi com nitidez meu gênio.
Primeiro o ser abençoado me arrumou as muletas, depois a cadeira com rodinhas e por fim uma cadeira de rodas.
Preparou um esquema seguro para o banho e se esmerou nos cafés da manhã.
As dores, apesar de intensas, aos poucos foram amainadas pelos sabores nos preparos das refeições e nos toques de afeto em realizar desejos.
Baixei no Kindle Unlimited o primeiro romance da querida amiga escritora Ilma Pereira, “O que os quilômetros não te contaram”, leitura intrigante, deliciosa. Viajei pelas estradas.
Adquiri o livro virtual, “Lavoura arcaica”, romance de Raduan Nassar. Narrativa densa, rica, intensa .
As leituras das obras se alternaram com doramas coreanos, playlists de estilos variados, programas de culinária, vídeos do YouTube de assuntos bem diversos, momento da novela Pantanal, acesso aos grupos nas redes sociais, tempo para escrever e a amorosa companhia do gênio.
Hoje, em meu momento dorameira, os sentidos gustativos foram aguçados pelas imagens dos suculentos kimbap.
A visão foi intensificada com o preparo do lamen. A cena abordou a lembrança guardada na memória de um dos personagens, pelo qual, em segredo, seus empenhados e afetuosos funcionários, procuraram e conseguiram encontrar o cozinheiro. Ele realizou seu sonho, preparou a iguaria e trouxe de novo o sabor das lembranças. O lamen foi sorvido com imenso prazer. Ao assistir, minha boca ficou aguada.
— Nossa, esse lamen me despertou a vontade de comer yakisoba. Daria tudo por isso.
O episódio terminou e o meu iniciou. O meu gênio, sem eu perceber, preparou o suculento yakisoba. O prazer do alimento quente aqueceu meu coração.
No final dessa temporada, é bem provável não haver diferença entre meu peso no início da convalescença com o gesso e a pós-temporada sem ele.
Agora, a minha gratidão ao meu amor com nome de anjo, meu gênio real na caminha de vida, não terá balança capaz de calcular.
Elaine Perez
Menina de trança
No sufoco, a menina se fecha e se mantém calada.
Pensa lá no fundo do silêncio, temendo que a respiração revele o que busca esconder. Nos bancos da escola o olhar foge de qualquer possibilidade de encontro.
A trança, contenção dos fios impostos pela mãe, impõe um ar de menina ingênua e feminina.
— Como atender a sonhos que nascem de desejos presentes no ventre? Nos planejamentos da escola? No grupo de meninas da classe? — Cristina pergunta a si mesma. E não para por aí.
— Como atender aos diferentes olhares dos meninos? — A cada indagação o frio no estômago aumenta.
A menina sente um profundo estranhamento.
Sabe que não poderá atender nenhuma dessas expectativas.
A única filha mulher, tão esperada, não se percebe a mulher dos sonhos.
Não se vê tão feminina assim, ou melhor, o feminino sentido, também não se encaixa ao ensinado na escola ou ao desejo exposto pelos meninos mais populares da turma.
A menina cada vez mais calada não encontra saída e nem entrada no mundo das pessoas normais.
Sabe-se mulher e se encanta também por mulher.
Tudo já passou pela sua cabeça.
— Será que tenho alguma doença? Sou fruto de algum pecado? Será que tenho cabeça fraca? — Lá no mais profundo do seu ser brota a resposta.
A menina percebe estar no mundo e com o mundo.Sente o coração responder e a alma sonhar. Imagina seu cabelos soltos, os cadarços afrouxados. Se vê em conversas sobre todas as formas de amor com sua família, na escola, em todos os lugares em que seu ser deseje expressar. Seu peito entoa um profundo pedido, roga.
A quem roga?
— Cristina, a professora de Matemática, já está indo para a classe, vamos logo senão você vai ficar fora da aula de novo. — Melissa, a única amiga da turma, segura em seu braço e puxa com força. As duas seguem para a sala de aula. Cristina vai, a passos lentos, a trança bem presa e apertada na cabeça.
Elaine Perez